20.3.09

OSCAR - Cada vez menos relevante mas ainda divertido PARTE II

Olá prezados leitores. Voltamos com as tardias, porém relevantes, reflexões sobre o Oscar. Já deixei claro que não dou muita bola pra esse negócio de furo, primeira mão e etc, certo? Se não o fiz acrescento agora "não me interessa falar primeiro, mas sim dizer algo relevante". Espero poder fazê-lo nesta oportunidade.

********ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE********

Ou "como manter sua paixão (de ostentação exorbitante) pelo cinema em tempos de crise mundial"? Admito que nem me atentava muito pra esse impacto, mas eis um tema realmente interessante. Hollywood (cinema), Fórmula Um (esportes) e o Rap-ultra-comercial-dos-USA-cujo-nome-técnico-não-me-lembro (música) são alguns dos expoentes mais esbanjadores e caros de suas áreas no reino do entretenimento.

Na Fórmula 1 tudo é caro, o negócio envolve centenas de patrocinadores e as cifras que envolvem tudo são astronômicas, a própria competição padece desse custo elevado pois já há alguns anos o número de competidores vem diminuindo em face do não-interesse de novas escuderias competirem (ou melhor, participar. Só Ferrari e McLares, eventualmente outra montadora, efetivamente "competem").

Já o Rap-ultra-comercial-dos-USA-cujo-nome-técnico-não-me-lembro é marcado pelos cordões de prata e ouro gigantescos. Pelos enormes relógios (de Rolex pra cima) utilizados pelos seus intérpretes, geralmente um em cada braço. Pelas roupas de marca (do meião até a ponta do boné, se alguma coisa não tiver uma logomarca caríssima em destaque, não serve). Pelos carrões tunados (de forma ostentosa) ... e, em suma, pela filosofia "GET RICH OR DIE TRYING". Por sinal, esse é o nome do filme sobre a vida do inesquecível rapper "50 Cent", que apesar do nome é chegado em privadas de ouro e outros artifícios supérfluos e absurdamente caros.

Em hollywood o quanto você gasta é o quanto você vale. Dizer que está vestindo "10 milhões de dólares em jóias" é algo natural. É o espaço dentro do cenário mundial da produção cinematográfica onde ficam as maiores extravagâncias, como dar 150 milhões de dólares pra Kevin Costner filmar O Mensageiro, ou outros 100 e tantos milhões pra Joel Schumacher filmar Batman & Robin (certamente o pior filme de todos os tempos). Também ocorrem algumas supervalorizações e especulações difíceis de entender, como Vin Diesel ser cotado com um salário de 20 milhões de dólares para protagonizar a seqüência do filme Triplo X antes do filme sequer estrear (curiosidade histórica - ele não participou da seqüência do filme). Com uma industriada viciada em ostentação assim, só poderíamos imaginar que a sua principal cerimônia de premiação fosse igualmente cheia de pompa e ostentação ... pois zé, e é exatamente assim. As vezes a vida simplesmente não é nada surpreendente.


Então temos a situação. A Fórmula 1 tá se virando como pode mudando regras do campeonato e correndo loucamente atrás de novos patrocinadores, o pessoal do "rap-ultra-comercial-dos-USA-cujo-nome-técnico-não-me-lembro" ... bom, acho que eles são alienados demais pra entender os efeitos da crise, mas não ia estranhar se começassem a leiloar suas privadas de ouro no e-bay pra poder continuar pagando os cinzeiros de marfim para seus charutos cubanos. Como é que a turma do cinema vai se virar com isso?

Em grande parte, curiosamente, rezando e tendo fé. A organização do evento aguardou até duas semanas antes do evento para confirmar patrocínios e alguns pacotes de ajuda governamental á indústria do cinema (sim! Hollywood apelando por ajuda do governo! Vocês não estão sozinhos Clube dos 13!). Como já era esperado, o pacote não saiu e os patrocinadores estavam muito receosos pra investir em algo caro como o Oscar ... sem grana, a indústria começou um processo que o nosso organismo faz naturalmente - quando a fome é pesada e não tem comida, o nosso estomago começa a comer as próprias paredes estomacais pra se saciar... ... ... ... não entenderam? Tudo bem, minha metáfora não foi das melhores. Seja como for, a organização do Oscar vendeu cotas de patrocínio aos próprios estúdios de cinema, que passaram a divulgar seus filmes durante a transmissão do Oscar. Parece algo natural, creio que muita gente talvez nem soubesse que esse expediente era realizado, mas a Academia temia que a propaganda de filmes durante o evento pudesse afetar a credibilidade da premiação, inclusive o expediente publicitário desse ano definia que apenas filmes não lançados ou que não estivessem concorrendo poderiam receber inserção publicitária ...

NOTA PESSOAL - Fala sério. Nunca premiaram Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Charles Chaplin, Alfred Hitchcock e ainda querem falar de credibilidade? Alguém dava credibilidade pra eles após Shakespeare Apaixonado ser eleito melhor filme concorrendo com Além da Linha Vermelha (do pouco agitado Terence Malick), O Resgate do Soldado Ryan, A Vida é Bela (invejas brasileiras aparte, o filme é genial) e Elizabeth? Isso só pra citar um evento recente...

******** TEMPOS MODERNOS ********

Bom além desse expediente também foram feitas algumas alterações pra diminuir os custos e o tempo de duração do evento - que sempre extrapolava e comprometia as grades de programação das TVs mundo afora. Coisas como cortar as apresentações musicais (apenas alguns pedaços das músicas foram executados, em um bloco só, quando da premiação de melhor música), diminuir a suntuosidade dos cenários, apresentar vários prêmios de uma tacada só pra agilizar as coisas, menos homenagens aqui e acolá, menos blá-blá-blá dos premiados ... no aspecto geral, a festa ficou mais limpa. Um musicalzinho aqui e outro acolá mas sem (muitos) excessos.

Ponto pró-oscar? Mais ou menos. A homenagem de 5 ex-premiados aos 5 indicados da atual edição do Oscar me pareceu excessivamente piegas. Acho legal valorizar os atores que fizeram história no prêmio, mas as falas e discursos me soaram excessivamente ensaiadas, além do quê aquele carinho todo demonstrado pelos atores entre si também não me pareceu muito sincero. O corte das apresentações musicais pode até ter sido uma saída pró-tempo, mas foi ridícula artisticamente falando porque era o momento em que o artista podia recriar sua obra integralmente ao vivo.

NOTA PESSOAL - Se bem que a academia já premiou o cantor de "rap-ultra-comercial-dos-USA-cujo-nome-técnico-não-me-lembro" Eminem antes e depois barraram o Jorge Drexler, colocando o Antônio Banderas e o Santana pra "interpretar" uma versão bizonha de "Al Otro Lado Del Rio" ... que ganhou o prêmio depois ... em suma, provavelmente daria tudo errado de um jeito ou de outro.
******** ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR? ********
Oh Boy, assistir á transmissão do Oscar esse ano, mais do que nunca, foi um jogo de adivinhação sem igual. Tá certo que toda premiação tem um quê de mistério e adivinhação, mas desta vez eu simplesmente não conhecia NENHUM FILME dos indicados. Nem os megablockbuster chicletões nem os obscuros-que-a-galera-elogia-e-geralmente-tem-alguma-qualidade... e olha que eu até curto ver esses filmes.

Bom, na impossibilidade de se avaliar o trabalho de cada ator, diretor e companhia o negócio é apelar para uma estratégia que muitas vezes o pessoal toma - apelo sentimental. "Poxa, Mickey Rourke indicado ao oscar de melhor ator ... logo ele que tava perdidão na vida e só fazia filmes escrotos há pelo menos uns 20 anos ... espero que ele ganhe o oscar", ou então um "Poxa, Sean Penn foi indicado pelo papel de um ativista gay, os gays sofrem muito preconceito, merece esse prêmio" ou mesmo um "Vou torcer pelos atores negros porque eu sei que a indústria de cinema americana é muito preconceituosa" ... a razão o seu coração escolhe, e ela não precisa fazer muito sentido pra qualquer pessoa além de você: uma causa com a qual você se identifique, uma razão social, o carisma de um dado ator/diretor...

Embora não seja propriamente um critério técnico, e portanto não seja exatamente algo elogiável, todo mundo faz uso dele, inclusive eu. Tava assistindo, não vi nenhum filme antes e, por alguns minutos (porque eu nem sabia quem eram os indicados antes) torci um pouco pela sorte do Mickey Rourke (sempre acho bacana quando alguém de quem não se esperava mais nada dá uma volta por cima), torci pelo azar de "O Estranho Caso de Benjamim Button" (não vi o filme, é verdade, mas não simpatizei com ele... acho que pela cara de chocho do Brad Pitt no trailer desse filme) - e fui bem sucedido nessa torcida - e, em suma, coisas do tipo.

Havia momentos em que o critério pessoal cedia espaço para outro critério mais pós-moderno - o geopolítico. "Pô, Geopolítica até aqui?". Calma leitores, é apenas uma versão "mais light" do termo. Coisas como "Poxa, o japão não ganha um Oscar desde os tempos do (deus) Akira Kurosawa. O cinema deles é muito bom, acho que eles mereciam um prêmio" - até o Rubens Ewald Filho comentou isso durante a transmissão, complementando que o filme premiado como melhor filme estrangeiro realmente era muito bom - ou então "O filme tal vem de um país destroçado pela guerra, é importante para o orgulho próprio eles vencerem esse prêmio".
******** FUGA PARA A VITÓRIA ********

Um dos critérios geopolíticos e geo-econômicos mais cara-de-pau da noite foi dado pela própria organização da festa. Com a queda da bilheteria (de modo geral) nos Estados Unidos e o curioso fenômeno que surgiu esse ano, onde os filmes indicados ao Oscar ao invés de terem um acréscimo de público e bilheteria acabavam recebendo uma queda nesses aspectos. Lembrem-se da crise mundial, será que o povo americano tá ficando mais pobre ou mais receoso em gastar dinheiro pra ir ao cinema? Será que o Oscar caiu em credibilidade com o povo americano? De onde virá, afinal de contas esse fenômeno? Difícil dizer, mas de certo apenas que a velha estratégia capitalista de procurar novos mercados após a saturação dos mercados tradicionais entra aqui de forma destacada. Já que o público americano não tá pagando pelos excessos de hollywood, então vamos fugir pra onde as pessoas paguem ... e onde pode ser isso? NA ÍNDIA, É CLARO!!!!


BOLLYWOOD CHEGA A HOLLYWOOD - definiram alguns comentaristas. Bollywood é a meca da indústria de cinema indiano, país que pouca gente sabe mas é o maior produtor de filmes do mundo. Bollywood é a "Hollywood de Bombain" e seus filmes contam com todo exagero e pirotecnias dos antigos musicais americanos, onde o tempo todo os atores paravam o que estavam fazendo e começavam a cantar e dançar. Em termos comparativos, esses filmes poderiam ser comparados com as novelas mexicanas - são bregas, popularescos e os principais representantes culturais de seus países mundo afora. Como definiu certa vez o diretor indiano Ram Devairini "Bollywood é diversão. Os filmes são melodramas, cheios de música, dança e cor porque os filmes devem ser divertidos. Se você assiste um filme de bollywood e não se diverte, então você não sentiu Bollywood". Bollywood é o "cinemão" indiano, tal qual Hollywood é o "cinemão" americano.



A distribuição dos maiores prêmios que priorizou um filme com estética, parte da equipe e temática indiana pode, em alguns casos, ser coincidência (não vi o filme, não tenho como avaliar suas qualidades individuais) mas o grande show musical Bollywoodiano realizado em uma edição paricular do Oscar onde as canções indicadas a melhor canção não foram apresentadas e onde houve uma limpeza geral dos números musicais e demais salamaleques ... parece um tanto cara-de-pau demais pra ser considerado apenas coincidência. Um número musical bollywoodiano com todas as pirotecnias e cantado em idioma indiano, justamente num evento tradicional americano, que não costuma deixar artistas estrangeiros desconhecidos se apresentarem (que o diga Jorge Drexler, cuja canção foi representada por Antônio Banderas e Santana com ele assistindo tudo calado bem no meio da platéia), e numa indústria que costuma regravar filmes de sucesso apenas para que o público o consuma na sua própria língua (americanos não gostam de filmes legendados) essa manifestação cultural certamente não tinha como alvo o público tradicional americano. Essa apresentação servia como um cartão-de-visitas do cinema indiano apresentado num espaço canônico do cinema americano, ou seja "cidadões tradicionalistas americanos, consumam o cinema indiano porque nós os estamos autorizando para fazê-lo, tanto é que nós estamos apresentando eles aqui na nossa premiação mais tradicional. Viram como não tem perigo?".


"Então a estratégia é fazer os indianos venderem seus filmes pro mercado americano?". Talvez, mas acho que é mais uma via de mão dupla: ao mostrar "carinho" pelo cinema indiano os americanos estimulam uma visão positiva sobre os seus produtos culturais e estimulam com isso o consumo dos seus filmes nas terras indianas. Também é o pretexto para, estimulando o público americano a consumir o material produzido na índia e o próprio cinema americano refilmar produções indianas e começar a lançar material com estética indiana mas falado em idioma yankee. Estimular a formação de um público consumidor deste material para em seguida produzir para o consumo desse público. A idéia é dar uma requentada numa indústria que começa a se retrair, ou melhor dizendo nas indústrias que começam a se retrair, pois Bollywood sofre na indía uma crise semelhante ao que sua contraparte americana sofre. O curioso em tudo isso é a situação de "volta as origens" já que os musicais americanos antigos estimularam a produção do cinema de Bollywood e agora retribui exportando sua estética desenvolvida a partir daqueles filmes novamente para a matriz original. Não é a primeira vez que isso acontece, a estética dos desenhos e quadrinhos japoneses já havia feito algo semelhante nos anos 90 (acho até que escreverei um post sobre isso algum dia).

******** GET SHORTY - O NOME DO JOGO ********
Em poucas palavras:
*Hugh Jackman se mostrou um apresentador com bom feeling para comédia um ótimo cantor e dançarino. Apesar de não gostar da cinessérie de X-Men e da maioria dos atores envolvidos, que geralmente são fracos e pouco excpressivos (com exceção de Ian McKellen, Patrick Stewart e poucos) abro uma exceção pra ele, que em outros filmes já demonstra boas qualidades como ator. Espero que não fique estigmatizado como Wolverine, porque ele merece bem mais que isso.


*Anne Hathaway, apesar da cara de menina e de dois filmes O Diário da Princesa no currículo, se mostrou uma atriz bem mais gabaritada do que eu imaginava (é, acho que me precipitei novamente). Indicada pela segunda vez ao oscar já apresenta uma carreira dramática bem respeitável. Espero que não volte tão cedo ás comédias bobas.

* Hugh Hefner, apesar de não ter relação nenhuma nem com os filmes indicados nem com as premiações do evento, acabou protagonizando uma das notícias mais importantes, relevantes e interessantes entre todas as notícias fruto do Oscar 2009 - embora o objetivo final não seja nenhuma novidade pra quem já assistiu mais do que 2 filmes da atriz, desejamos toda sorte do mundo a Hugh Hefner em sua empreitada.

11.3.09

DE FOCA PARA FOCA - entrevista - BRUNO MAGNO/Jornalista

Olá caros leitores.

Um blog com uma proposta de apresentar o mundo sob o olhar de um foca neófito não poderia se esquivar de dar vazão á visão de mundo de outros iniciantes também. Apesar do nome da sessão sugerir algo voltado á comunicação social, nem sempre será assim. Os "focas" da sessão podem perfeitamente pertencer a outras áreas do conhecimento, ou mesmo não pertencer ao espectro acadêmico, desde que contemplem a visão de jovens envolvidos naquilo que os apetece. A visão não-viciada e não-encharcada por clichês e estereótipos do mundo é uma coisa de valor inestimável, e cada vez mais rara em nossos dias.

Para começar, um recém-graduado estudante de jornalismo da UFPA, Bruno de Oliveira Magno.

******** PERFIL ********
Bruno de Oliveira Magno, paraense de belém, 26 anos, jornalista. Bruno desde pequeno esteve inserido em uma rotina que lembra um pouco o corre-corre do jornalismo - filho de oficial militar mudou-se várias vezes de casa e localidade ao longo da infância. Terá isso influenciado no seu fascínio pela profissão? Ainda jovem decidiu que queria fazer jornalismo mas, ansioso por entender melhor o funcionamento da sociedade e ao mesmo tempo temeroso em não conseguir passar no vestibular pra Comunicação (já na época, um dos cursos mais concorridos da Universidade Federal do Pará) ingressa primeiro no curso de Ciências Sociais, no ano de 2003. Ao longo de dois anos de curso, uma certa paixão se desenvolveu pela área da pesquisa social. Compreender as raízes do pensamento social e analisar o comportamento da sociedade com o passar dos tempos era fascinante, apresentando uma visão acima da visão de campo encontrada no jornalismo. E então? Após dois anos de percurso andado seria vantajoso mudar de área? "Sabe amigo, quando eu percebi que após dois anos de estudos eu teria mais alguns anos estudando pesado pra no final virar o FERNANDO HENRIQUE CARDOSO ... eu optei pelo jornalismo, que não paga bem mas me permitira ser um Caco Barcelos", afirma com bom humor o foca.

E ele optou pelo seu sonho. Com todo o esforço (e uma ponta de sorte da repescagem mais numerosa que o curso já teve em seus últimos anos) Bruno ingressou em 2005 no curso de jornalismo. Envolvido pela área, ainda em seu primeiro ano ingressou no seu primeiro estágio, na Assessoria de Imprensa da Upfa, onde o contato com o mundo do jornalismo científico acabou valorizando sua experiência prévia em ciências sociais. Um jornalista com uma compreensão prévia do que era o mundo da pesquisa científica e um olhar crítico sobre a área das ciências humanas como um todo não é algo fácil de se achar, e de muito valor nesse ramo. Seu trabalho ganhou destaque como o de um profissional exemplar. Pouco antes de expirar o período de 2 anos no seu estágio muda-se para outra área do jornalismo, mais diretamente ligada ao mercado - o jornalismo digital. Ingressa no Portal ORM, onde seu olhar jovem e interessado pelos fatos da sociedade, em especial da sociedade do entretenimento, o concedeu certa vantagem em relação a outros focas.

Em dezembro de 2008, concluiu sua história na graduação de comunicação com a defesa de seu Trabalho de Conclusão de Curso. O trabalho de bruno entrou pra história de mais de trinta anos do curso da UFPA - pela primeira vez um TCC com a temática do Marketing Social foi apresentado no curso. O trabalho, que citava como exemplo a campanha sobre sindrome de down na novela Páginas da Vida, era um trabalho interdisciplinar com a área de publicidade e propaganda, sendo muito elogiado pela banca examinadora que o avaliou com excelência. Mas nem tudo são flores...

Tendo cumprido seu período completo na redação do portal orm, concluindo suas contribuições ao final do mês de fevereiro último, quando seu contrato de estagiário terminou, Bruno, apesar do bom desempenho, não foi convocado para assinar um contrato de profissional. Atualmente cumpre expediente de "PROBLEMA SOCIAL" vivendo o desemprego, mas não deve manter-se nesta triste rotina por muito tempo. O mundo do jornalismo é grande e com várias oportunidades para pessoas com talento e dedicação como Bruno.

******** ENTREVISTA ********

TAION - Boa noite Bruno. Obrigado por aceitar realizar essa entrevista para o Enfoque Foca, ficamos muito contentes em poder contar com sua colaboração e em poder compartilhar suas idéias com nossos leitores.

BRUNO - Valeu ai, Taion, por eu ser o primeirão.

TAION - Bruno, você recentemente concluíu o curso de Comunicação Social com habilitação em jornalismo. Sabemos que você abandonou outro curso, já com um bom caminho trilhado, para poder ingressar neste curso. Finado o percursso da graduação fazemos a pergunta - e então, valeu a pena trocar?

BRUNO – Sim, valeu muito a pena. Principalmente por que a outra graduação me deu muita base teórica para as teorias da comunicação, coisa que estudamos muito no curso. Desde o ensino fundamental eu queria Estudar jornalismo, mas dai pensei em fazer sociologia para ter um conhecimento mais aprofundado da sociedade. Quando entrei no jornalismo, já tinha uma cabeça mais legal, opiniões formadas e estava atrás de realizar um sonho. Não me arrependi nenhum pouco.Sou apaixonado pelo jornalismo.

TAION - Sua resposta nos leva a uma outra pergunta - você ingressou no curso num momento de troca de grade curricular onde as matérias de introdução teórica (fundamentos de sociologia, direito, filosofia e etc.) ficaram de fora. Como você avalia a sua formação dentro do curso? Sem a experiência prévia em Ciências Sociais ela teria sido completa ou há aspectos que o decepcionam em sua graduação?

BRUNO – Sem dúvida, a minha experiência em sociologia contribui bastante para as disciplinas teóricas. Acredito que a grade curricular do curso precisa e muito dessa base humanista, de filosofia, sociologia, psicologia social...

TAION - A graduação em jornalismo, da forma como está atualmente, permite formar um profissional devidamente preparado?

BRUNO - Acredito que a graduçaõ em si, não forma o jornalista. Você precisa ter uma formação muito ampla sobre as coisas, então o bom mesmo é correr atrás. Estudar sempre, estagiar... enfim não ficar dependente da graduação somente.

TAION - Como você vê a área do jornalismo atualmente?

BRUNO - Atualmente o jornalismo vem banalizando muito as coisas, precisamos rever alguns pontos e posturas.

TAION – O meio jornalístico vive constantemente permeado por brigas acerca da exigência de diploma para o exercício da profissão. Como você enxerga essa questão?

BRUNO - Olha, eu sou a favor do diploma sim. Acredito que o jornalista deva ter uma formação superior sim, afinal vemos tantas 'birrazices' por ai no meio..de gente formada aos da antiga..Então, sou a favor do diploma por que a academia,o contato com a ciência leva o jornalista a uma formação mais crítica e mais humana.

TAION – As reclamações sobre o comportamento dos grandes veículos de comunicação sempre foram uma constante, mas com a ascenção das novas tecnologias de informação/comunicação o jornalista amador se tornou uma alternativa relevanta a esse monopólio da notícia. Estamos diante de um novo paradigma? Que mundo espera o jornalista formado Bruno Magno, e como ele vê esse horizonte de possibilidades?

BRUNO - O campo da comunicação é muito amplo, temos de estar preparados para tudo. O jornalista tem de estar preparado para essa nova forma de trabalho, esse ambiente digital. Acredito que as pessoas ainda não atentaram para essa questão das novas tecnologias, do webjornalismo. Daqui há alguns anos as pessoas só irão se formar pela internet, com a convergência das midias. É mais uma porta que se abre no mercado de trabalho também.

TAION - Você acha que há uma separação muito grande do jornalismo da ciência? A abertura da reunião anual da SBPC em Belém, 2007, contou com a fala de Lúcio Flávio Pinto, que comentou sobre o fato. Mas, afora essa manifestação, ao menos em nível regional não me recordo de maiores menções a esse fato. Nem mesmo no encontro regional da Intercom, também em 2007.

BRUNO - Taion, acho que ai caímos Numa questão: teoria x prática. Na academia, somos pesquisadores, no estágio somos treinados para sermos jornalistas. Mas não podemos esquecer que, acima de tudo, o jornalista é meio cientista sim. Pesquisador e farejador.

TAION – O jornalista, via de regra, não costuma enxergar a si mesmo como um cientista mas sim como um profissional da notícia, mesmo aqueles graduados bachareis em comunicação social. Como você acha que poderia-se ajudar a reverter essa situação?

BRUNO - A solução seria criar o curso de Comunicacao Social e o curso de Jornalismo. Separar as áreas mesmo, porque isso confunde a gente.

TAION - Bruno Magno, obrigado pela entrevista. Nos vemos pelo mercado de trabalho, ou aqui no Enfoque Foca mesmo. Até em breve amigo.

BRUNO – Obrigado, Taion, precisando estamos ai.

24.2.09

ZEEBO - Que bicho é esse? Parte I

Um console nacional? De jogos autorais? Numa época de crise mundial, pirataria sem fim, Playstation 3, Xbox 360 e Nintendo Wii? SIM! E foi a Tec Toy quem tocou o barco sozinha???? Mais ou menos... leia a matéria e entenderá melhor.

Quando a Sony anunciou que ia fabricar o playstation 2 no brasil e lançá-lo oficialmente ... parecia que a industria de jogos nacional sofreria sua mudança mais significativa em muitos anos (embora esse lançamento, nem de longe, significasse uma novidade tão grande em um país que já conta com milhares-milhões de PS2 rodando de forma "não oficial" por aí). As coisas estavam andando em passadas ruins, com produtoras apertando o cinto e algumas fechando as portas. O momento era certamente um dos mais improváveis possíveis para o anúncio de um novo console, quanto mais o do lançamento de um console autoral nacional. O Brasil teve ao longo de sua trajetória uma experiência imensa na produção de "consoles compatíveis", como o Phanton System e os Dynacons da vida, até hoje compatíveis com o imortal Nintendinho 8 Bits, mas no tocante a consoles autorais e com jogos próprios a aposta da Tec Toy é pioneira.

E então? O que nos aguarda? O que podemos esperar? Porque diabos uma aposta dessas? Leia a matéria abaixo e entre no misterioso mundo do Zeebo, o console brasileiro (ou quase isso).




******** De Tec Toy á TecToy - um hífen que faz muita diferença ********

Tec Toy é uma empresa que traz muitas lembranças boas e algumas ruins aos jogadores de videogame mais fissurados no brasil. Sua história podia ser dividida em dois momentos claros:

1 - De 87 até a reestruturação (TecToy) - Trouxe o Master System e todos os sistemas da Sega oficialmente para o brasil, abastecia o mercado nacional com a distribuição de jogos quase paralelamente ao seu lançamento no mercado internacional e dava o suporte necessário para que os consoles fizessem imenso sucesso (Master System e Mega Drive tem base instalada no brasil de algumas milhões de unidades). A derrocada da Sega a partir do Sega Saturn e sua retirada após o Dreamcast fez com que a TecToy começasse a viver um período conturbado. O mercado de games estava se tornando muito caro e os investimentos mais complicados. No final dos anos 90, começo do século XXI, a empresa entrou em concordata e abriu processo de falência. Parecia o fim, mas uma mudança de rumos fez com que a empresa desse uma guinada impressionante.

2 - TecToy 2.0 - Pós Reestruturação (Tec Toy) - A empresa continuou trabalhando com os consoles clássicos da Sega (Master System e Mega Drive), mas tomou algumas decisões muito polêmicas como abolir o drive de cartuchos (o que limitava os jogadores a jogar apenas o que estivesse presente na memória do console) e relançar os consoles antigos com pequenas modificações no design a preços acima da média. Enquanto em relação aos consoles a recepção do público ia mudando (pelo menos no público hardcore que começava a odiar a empresa) a Tec toy começou uma muito produtiva aproximação com outro público - a dos celulares. A Tec Toy passou a publicar jogos para celular. Não só os óbvios clássicos da era Master/Mega mas também jogos mais recentes de outras produtoras. O mercado de celular foi uma empreitada de grande sucesso da empresa e, somada a outros investimentos que ela vinha desenvolvendo (no setor de brinquedos e eletrônicos, principalmente) tirou a empresa do vermelho para torná-la uma empresa lucrativa e de bom retorno no mercado.

Ok. Lucro... empresa estabilizada... fãs hardcore enfurecidos e um cenário relativamente tranqüilo para operar. E eis que então, no final de 2008, a Tec Toy anuncia que estará lançando no mercado o primeiro console desenvolvido por uma empresa brasileira com distribuição de jogos on-line em rede 3G, e com previsão de lançamento para junho de 2009 ... HÃ?????? Sim. Você não foi o único que estranhou. Uma empresa que pouco mais de 10 anos depois de entrar em falência se arvora no lançamento de um console, investimento pesadíssimo que cada vez menos empresas se arriscam, e justamente uma empresa brasileira! A Tec Toy tem tanta bala na agulha assim pra fazer frente pra Nintendo, Sony e Microsoft? Em poucas palavras - não. A Tec Toy pode até ter uma economia bem estável mas nada que se compare ás três gigantes, mas o grande segredo está neste ponto - a Tec Toy não trabalha sozinha. Junto dela estão outras sete empresas de vários países. A união faz a força.


******** ZEEBO - O console "tupiniquim" (pero no mucho) ********


A idéia de um console 100% nacional, que até chegou a ser apregoada em relação ao Zeebo, é errada. Aliás no mundo atual é muito difícil dizer que alguma coisa é 100% de um país só. O grupo de empresas envolvidas com a criação do Zeebo é grande e envolve empresas comunicação de 7 países: Argentina, Brasil, China, Estados Unidos, França, Israel e Japão. A principal parceira da Tec Toy nessa empreitada é a Qualcom Technologies, que trabalha há anos com jogos e tecnologia para telefones celulares. A Qualcomm entrou com a maior parte do capital do projeto Zeebo e a maior parte da estrutura de Tecnologia como o chip Adreno 130 que é o motor gráfico do console (mais informações técnicas no próximo post).

Curiosidade. O console, apesar de anunciado na internet como "Tec Toy - Zeebo" (tal qual o Nintendo Wii, Sony Playstation e Microsoft Xbox, por exemplo), o console em verdade está diretamente ligado a uma empresa chamada Zeebo Inc. Essa empresa foi criada sobre a estrutura da antiga Tec Toy norte-americana. Seu capital é divido em aproximadamente 58% para a Qualcomm e 42% para a Tec Toy. Ela será a responsável pelo trabalho de avaliação e negociação de títulos e projetos de jogos para o console, além de outras demandas administrativas gerais. Porque então colocar a pequena Tec Toy em frente ao nome do desconhecido console, já que nos casos anteriormente citados as empresas mencionadas antes são gigantes e emprestam prestígio aos consoles ao invés de se beneficiarem dele? Nossa opinião - Zeebo´s Zeebo ou Zeebo inc.´s Zeebo soariam muito estranhos =P.

Bom, voltando á questão da paternidade do menino, talvez possamos dar um crédito extra ao Brasil por conta da concepção - foi a Tec Toy quem apresentou o proposta original do console em 2006 a Qualcomm e a partir desse primeiro contato começaram a se desenhar as demais articulações que resultaram nesse time de empresas de 7 países. Por sinal, é importante atentar para 2 desses países que compõe o time do Zeebo - Brasil e China. Mais do que o país pentacampeão de futebol e a sede das últimas olimpíadas, Brasil e China compõe com destaque o chamado bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) o bloco dos países de economia mais emergente e que devem inserir na sociedade de consumo cerca de 800 milhões de pessoas nos próximos anos. Especialistas consideram que a soma dos PIB dos países do BRIC deve superar a dos países do G6 (Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Alemanha, Itália e França) em até quarenta anos. Previsões de economistas as vezes escorregam um tanto (afinal a economia é volátil e dinâmica com muitos fatos interferindo no seu desempenho) mas que esses mercados ascendentes estão chamando a atenção das grandes companhias e se destacando no tabuleiro econômico mundial atual é algo inquestionável.


******** BRIC? Que diabos, onde vocês querem chegar com isso? ********


Os quatro países do BRIC são países de economia emergentes e com um potencial de mercado grande em face das suas populações internas. O Brasil, como todos sabemos, é este país belo de extensão continental com quase 200 milhões de habitantes. Apesar de não possuir a maioria das mazelas históricas dos demais países do BRIC (sociedade estratificada, guerra étnica/civil...) é um país onde grande parte dos seus habitantes vivia á margem da sociedade de consumo em condições de miséria. Esse quadro tem sofrido mudanças com as alterações econômicas do país a partir da segunda metade dos anos 90 e principalmente com as políticas sociais perpetradas no governos Lula (que críticas aparte, e eu tenho as minhas, surtiu impactos consideráveis no quesito de inserção econômica da população, possívelmente uma das principais causas de sua popularidade tão destacada). A Rússia é uma nação de mais de 300 milhões de habitantes que se reintegrou ao modelo de mercado economico internacional a relativamente pouco tempo, mas se tornou a nação mais rica e influente do leste europeu, com o passar dos anos a população começou a migrar do sistema economico comunista histórico para o capitalista, a princípio com muita dificuldade mas atualmente com grandes progressos. A Índia, país de cerca de 1 Bilhão de habitantes e de sociedade historicamente dividida em castas, tem se revelado um fenômeno das telecomunicações, desbancando as grandes nações no setor do serviços de comunicação e que vem investindo pesadamente em tecnologia, os especialistas que apontavam a China como a provável mega-potência do século XXI começam a apontar a índia como postulante a esse quadro. A China é o país mais populoso do mundo com 1,5 bilhão de habitantes, a maior parte deles aparte da sociedade de consumo mas com Zonas Econômicas Especiais que representam um retorno econômico para o país equiparável a soma dos PIB de vários blocos econômicos, tecnologicamente seu desenvolvimento é notável e o seu crescimento anual de quase 10% nos últimos 20 anos tem impressionado economistas do mundo inteiro.

"Pô economia numa hora dessas?", "Que mané BRIC o quê, eu quero é saber de videogame!" ou "Ah, se eu quisesse saber alguma coisa sobre economia eu prestaria atenção nas minhas aulas da faculdade" você deve estar pensando a esse momento. Calma amigo, já chegamos lá. Essa introdução longa, e um tanto chata (admitimos), foi feita com fins a ajudar a entender a proposta e a ousadia desse novo console - um console voltado para os países do BRIC e mercados emergentes. Entender o bloco do BRIC é importante para entender essa proposta.

Esses quatro países citados eram vistos como possíveis bons mercados mas sempre sofreram com alguns problemas muito graves para serem vistos com mais interesse, coisas como guerras civis, questões étnicos-religiosas, políticas econômicas que desfavoreciam o desenvolvimento de mercado, pobreza e miséria... Os problemas históricos não se resolveram, mas os governos destas nações conseguiram fazer com que eles não interferissem tanto na economia, propiciando um crescimento economico das nações refletido na inserção do seu povo no mercado de consumo. Como o mundo capitalista está em busca de saídas para expansão esses mercados acabaram se tornando prioridade para muitos nichos de mercado. A investida da Tec Toy é a primeira investida, declarada, de um console visando esses mercados. E investir nos países do BRIC e mercados emergentes significava enfrentar alguns problemas cruciais que eram desafio para a implantação das grandes empresas de videogames nesses países - pirataria, distâncias grandes e problemas com distribuição e a questão da cultura local (tanto língua como cultura de jogos).

********E AGORA, DR. ZEEBO? COMO EU FAÇO?********

Palma, palma, palma ... não prieimos cânico. O novo videogame tem como principal estratégia para o enfrentamento dessa dificuldade, e também como maior elemento de marketing e artifício tecnológico mais relevante, a característica que o faz mais único até o momento – a ausência de mídia física. Exatamente – nada de Cds, Dvds, Bluray discs, Lps, fitas Cassete, Laser Disc, Giga Disc, Disk Drive, Cartucho, Disquete ou qualquer outra mídia de memória física portando jogos! A distribuição de jogos será inteiramente feita por downloads direto de uma rede wireless 3G.






Todos----->/Ô.Ô/Ô.ô/ô.ô\ô.Ô\Ô.Ô\<---- Nós






Sim, isso é chocante, nós sabemos. Mas não deixa de ser uma tacada ousada e com um quê de razão. Através do download wireless você retira a necessidade de prensagem e transporte da mídia física, reduzindo sensivelmente o preço na fabricação dos jogos e na revenda. Diga-se de passagem, também é um elemento de enfrentamento da pirataria pois todas mídias citadas no primeiro parágrafo já são de conhecimento público, e as táticas para cópia e pirataria idem. Com a revenda sendo feita sem intermediários, do ofertante pro cliente o pirateamento se torna um pouco mais complicado, que o digam os bem sucedidos exemplos de venda virtual das redes WiiWare (Wii) X-Box Live Arcade (X-Box) e Playstation Network (hã ... Playstation 3?).
Diga-se de passagem com a sua aposta na ausência de mídia física, a Tec Toy acabou se adiantando naquilo que parece ser a próxima tendência no mercado de jogos – distribuição on-line. O próprio Ken Kutaragi, logo após o lançamento do Playstation 3 adiantou que essa certamente seria a tendência do futuro dos jogos e que ele se espantaria se na configuração do Playstation 4 estivesse presente algum tipo de drive. Na época soou mais como um “mea culpa” em caso de fracasso da mídia Blue Ray, mas as estratégias virtuais das três grandes fabricantes denotaram um olhar muito sério e cheio de expectativas sobre esse nicho. As redes virtuais são hoje, para os consoles, tão importantes quanto o acervo de jogos pois constituem um adcional importante de “fator replay” aos jogos e fidelidade dos consumidores.

Também é digno de menção o esforço de localizar todos os jogos da nova plataforma. Todos os jogos do novo console serão legendados – guiçá dublados – no idioma de camões no período do seu lançamento no Brasil. O universo gamer soava incompreensível muitas vezes ao não jogador por conta da falta de explicação ou da barreira lingüística que se criava quando o jogador neófito se via diante de uma língua estranha durante a experiência de jogo (possivelmente mesmo os jogadores hardcore um dia já se viram nessa situação). Essa é uma estratégia para a aproximação dos não-gamers dos jogos, mas não é a única. A falta de uma cultura gamer não pode ser resolvida apenas com a simples tradução pois mesmo que uma pessoa entendesse tudo que está rolando na tela ela provavelmente ainda ficaria em dúvidas se vale investir tanto numa distração com jogos a preços tão altos (jogos originais no brasil costumam custar mais de 100 reáis cada). Aí temos a outra sacada interessante do console, o valor dos jogos irá variar entre 10 e 30 reáis.


Com jogos a 10 reáis seria possível (hipoteticamente) uma criança economizar durante um mês o lanchinho ou a mesada e ao final comprar virtualmente um jogo para o seu console. Então a distância financeira então se torna menos assombrosa do que era em outras épocas? Bom, há quem questione. O preço sugerido pelo console é de 600 reáis, que embora seja bem menos do que um PS3 ou um Xbox 360 ainda é caro em termos absolutos. Aí ficam duas perspectivas: I Após o lançamento o preço tende a cair bastante (o PS3 foi lançado custando 5 mil reáis em certos estabelecimentos e atualmente pode ser encontrado no mercado por 2 mil e poucos reáis); II – A venda será feita, via de regra, em prestações. A 10 vezes o preço cairia para pouco mais de 60 reáis mensais, e as lojas mais populares podem negociar o console a prestações ainda maiores. Um console barato em relação á nova geração, de jogos baratos e que fala a sua língua.


Interessante? No mínimo curioso. “O que esse bicho é capaz de fazer?”, “Que jogos vão sair?”, “o que dá pra esperar dele?”, “como um ordinário que se diz um gamer veterano me faz o favor de escrever uma porcaria de uma matéria imensa dessas e não me escreve uma linha sequer sobre configuração técnica??????”... calma, amigos hardcore gamers, esses aspectos serão análisados e destrinchados individualmente nas nossas próximas postagens da série “ZEEBO – Que Bicho É Esse?”. Mas, acredito que pelo escrito até aqui vocês já tenham uma vaga idéia do que é o console e qual a proposta dele.

Para quem não tem tanta paciência e quer ver logo o bichinho em ação, seguem uns vídeos dele em ação e de algumas demonstrações do console. Só recomendo que vocês não vão esperando o visual de um PS3 ... aliás, nem de um Wii ... por sinal, nem de um X-box ... melhor dizendo nem de um Gamecube ... ou um PS2 ... sabe o Dreamcast? POIS ZÉ ^^ ... calma, isso tudo tem uma razão de ser e ela será explicada na ZEEBO – Que Bico É Esse - PARTE II – ‘Tecnicamente Falando ...’ ”
COLETIVA DE LANÇAMENTO DO CONSOLE -
Parte 1 -
Parte 2 -
APRESENTAÇÃO DO CONSOLE - Uol Jogos


Até a próxima.

VIDEO GAMES - Diversão, cultura e informação.

Olá prezados leitores. Ainda não consegui colocar um contador, então não faço idéia de quantas pessoas estão acessando o blog ... seja como for espero que estejam gostando.

Desta vez vamos explorar uma outra faceta de minha personalidade, a de jogador de video-games. Crescer jogando Street Fighter, Super Mario Bros., Sonic, Final Fantasy, Legend Of Zelda e outros clásicos dos video-games é algo natural para alguém nascido nos anos 80, mas nem todo mundo criou interesse em observar o que havia por trás desses jogos - o mercado e indústria dos jogos e a "cultura gamística". Bom, eu atentei pra essas coisas, pelas minhas análises vocês podem concluir se eu fiz bom proveito ou não desse "olhar a mais".

Neste blog, falar de jogos nunca será simplesmente uma avaliação rasteira (afinal isso você encontra em qualquer outro lugar) mas sim uma análise diferenciada e o trabalho de relacionar o jogo com outras coisas e acontecimentos do seu tempo. Tudo se relaciona com tudo, então mesmo de um elemento simplório, como um jogo de video-game, você pode tirar elementos culturais e estéticos de seu tempo, e o histórico da criação/sucesso desse jogo pode nos dizer muito sobre a sociedade dos nossos tempos. Parece enfadonho? Garanto que não, vou tornar isso até divertido ^^.

Abraços a todos, até o próximo texto.

SEÇÃO - IMAGENS QUE FALAM POR SI























... balão de pensamento engraçadinho aparte, onde vai parar o mau gosto dos editores de fotografia de jornal dos nossos tempos? Remo eliminado da Taça Cidade de Belém pelo modesto São Raimundo, Diário do Pará, capa do esportivo caderno Bola, 19 de Fevereiro de 2009.

A seção "Imagens Que Falam Por Si" é um espaço assim, para a contemplação imediata da genialidade do fotógrafo (para "o bem" ou "o mal") e sua capacidade de produzir imagens inesquecíveis ... por qualquer motivo que seja.

23.2.09

METAL PA - FILES - apresenta - STRESS III (1996)

AVALIAÇÃO - 9,0.

Por Taion Almeida

A lógica diria que uma sessão sobre Metal Paraense não poderia começar sem uma matéria sobre o Stress. É verdade, não podíamos começar sem citar o pai da cena do rock e metal no Pará, o pioneiríssimo Stress que nos anos 70, enfrentando a ditadura militar e as dificuldades técnicas, começou a tocar seu som pesado e se tornando a primeira banda de heavy metal da américa latina, fato que nem eles sabiam direito. A lógica também aconselharia escolher como disco a ser destrinchado o clássico primeiro disco ou então o grande sucesso Flor Atômica, um dos maiores discos da história do metal nacional. Mas, neste caso, o redator deixa a lógica um pouco de lado. Não querendo ir contra a relevância histórica desses discos, este redator prefere ir na contramão do previsível.
Enquanto os dois primeiros discos, por importância histórica e sucesso são de grande conhecimento público e tem o respeito histórico, o Stress III, por diversas razões, acabou ficando na obscuridade. Um erro histórico pois na minha opinião apesar de ter uma sonoridade muito diferente de seus predecessores Stress III é um disco tão bom quanto eles. O Stress nunca deixou a bola cair e fazendo heavy metal, thrash metal ou hard rock (como fazem muito bem aqui) mostram sempre uma extrema competência.



******** CONTEXTO HISTÓRICO ********

O ano era 1996. Já faziam 11 anos desde a gravação do Flor Atômica e há alguns anos a banda tinha entrado num sistema de quase inatividade, com algumas apresentações exporádicas mas sem grandes turnês ou perspectivas de gravação de disco. Os dois últimos membros da formação original tomaram rumos distintos: André Chamon, que desde o começo dos anos 80 havia se mudado pro Rio de Janeiro, permaneceu na capital fluminense onde montou a banda X-Rated e continuou sua história de contribuições á música pesada, já Roosevelt Bala voltou pra Belém onde chegou a montar com Carlos Rufeill a Jolly Joker, mas seu grande êxito musical foi a banda Zona Rural, que entre sertanejos e clássicos do rock, conseguiu um grande público e sedimentou seu nome na cena musical paraense. A cena do rock no país sofrera um baque na segunda metade dos anos 80. Bandas que faziam o som sintetizado e pop característico daquela época ganhavam espaço nas gravadoras e o segmento mais pesado do rock iam sendo solenemente ignorados, apesar do crescimento do público. O Stress, em particular, se encontrava no meio de duas cruzadas, se por um lado não recebiam apoio das gravadoras e rádios do seu país porque seu som era muito pesado, por outro não recebia o suporte dos selos internacionais porque se recusava a gravar em inglês como os selos solicitavam.

Em Belém do Pará, a cena do rock que estava se fortalecendo bastante quando Bala e Chamon se mudaram para o rio de janeiro na primeira metade dos anos 80, se tornou grande. Bandas como Violetha Púrpura, Anjos do Abysmo e Álibi de Orfeu cresciam a olhos vistos regional e mesmo nacionalmente. O Pará entrava no começo da década de 90 com a promessa de estourar uma banda nacionalmente. O sucesso do festival Rock 24 Horas era outra coisas que animava. A primeira edição, em 1990, foi finalizada com um grande show do Stress na praça da república. Seria um retorno á cena paraense uma saída pro Stress? Não sei dizer se essa hipótese foi levantada, mas em pouco tempo a esperança cairia por terra. As tragédias da terceira edição do rock 24 horas de 1992, que terminou em confronto da polícia com público, destruição do palco e equipamentos de som e outros atos de depredação e violência, a cena do rock em Belém sucumbiu. As casas de espetáculo não abriam mais portas para o rock. Apoiadores de outrora deixaram de apoiar, envergonhados com o desfecho do festival. Se havia alguma esperança de renascimento em Belém ela provavelmente também sucumbiu com o Rock 24 Horas. O cenário era o mais negativo possível e ninguém, por mais otimista que fosse, poderia sugerir que naquele momento surgiria o terceiro disco do Stress, mas havia um fiapo de esperança.

Em 1994 as gravadoras abriram os olhos pra cena de recife, que começou a chamar atenção na mídia com o som do Mangue Beat. Ao mesmo tempo, em minas gerais, um jovem grupo chamado Skank começa a chamar atenção na mídia. O rock voltava a ganhar espaço nas rádios, apesar dos modismos de época, e um público novo começava a se formar. Apesar de todas as muitas dificuldades locais, nacionais e internacionais, seria um bom momento para o Stress arriscar mais uma vez? Os músicos concluíram que sim.




******** O DISCO ********

"Bom, não temos nada a perder, porque não arriscar"? Esse deve ter sido o pensamento que passou na cabeça dos músicos não apenas quando eles se reuniram (Bala, Chamon e Paulo Guilherme - que havia entrado na banda no lugar de Pedro Valente em 83 mas saíra por não poder se mudar pro Rio de Janeiro com o resto da banda -) para gravar de forma independente o disco em Belém, mas também quando tomaram a decisão de mudar a sonoridade no grupo para este álbum.

O Stress é reconhecido como "os pioneiros do metal no brasil" então um disco com sonoridade calcada no hard rock poderia soar estranho para ouvidos mais desavisados. Quem já conhecia a banda talvez até estivesse acostumado com o som mais pesado dos dois primeiros discos, mas se prestasse atenção perceberia a influência nítida do Hard Rock nas duas últimas faixas do Flor Atômica - "Tributo Ao Prazer" e "Jenny", canções alegres e positivas em contraste com todas as canções anteriores. Por sinal a temática das canções desse disco eram também bem diferentes dos discos anteriores. Enquanto no primeiro disco você via a tortura ("A Chacina"), a degradação humana (O Lixo) e no segundo disco se veja temas como guerras atômicas ("Flor Atômica" e "Inferno Nuclear") o terceiro disco tem temas mais festivos e alegres, nada agressivo ou violento. A mudança temática não implicou em piora das letras. Embora "Sexo Anual" e "A Tua Mãe É Moça" sejam músicas festivas, "Folha ao vento", "Nada a Perder" e "Fé em Procissão" estão entre as melhores letras do grupo.

A paixão grupos do hard dos anos 60 e 70 era notória, então não havia nada de muito estranho no grupo estravazar sua paixão pelo hard rock em um disco, embora o próprio grupo admita hoje que aquele som não reflete a sonoridade real do grupo e que um possível quarto disco teria o som mais calcado nos primeiros dois albuns. O disco foi gravado de forma independente e lançado em CD com uma tiragem limitada de 500 cópias. Foram organizados shows de lançamento em Belém e no Rio de Janeiro mas o grupo não conseguiu sair da situação em que se encontrava. E o disco, com sonoridade diferente, acabou por ficar, como o próprio Stress permaneceu, na obscuridade.


******** FAIXA A FAIXA ********

01 - ESTRELA AZUL - Canção Hard com pegada empolgante de guitarra, é uma das canções que mais lembra o peso dos discos anteriores e refrão pra ser cantado com a galera. Uma das faixas mais vibrantes do disco.

02 - SEXO ANUAL - Hard farofão com letra sacana e inconseqüente (como o próprio nome já faz imaginar). Não faz muito a minha cabeça, mas, junto da faixa nove é um dos maiores sucessos do disco entre os fãs.

03 - NADA A PERDER - Canção cadenciada, meio balada. Uma das letras mais bonitas do disco, certamente traduzindo o espírito que a banda se sentia naquele momento. A base de violão da faixa é envolvente e mostra novos elementos da cultura musical dos músicos.

04 - DANÇA DO TREM - Canção dançante e com um leve toque de malícia. Lembra um pouco o rock dançante que estava começando a brotar nas rádios. A levada de guitarra e o triângulo dão um quê de forró á música, que é bem diferente, mas é muito boa.
05 - FOLHA AO VENTO - A introdução de Blues ao violão é simplesmente sensacional. A levada hard com letra existencialista funciona perfeitamente. Clássico.

06 - MARIA MENTIRA - A música tem um quê até um pouco infantil. A letra parece uma parábola do conto "Pedro e O Lobo". Particularmente acho uma das faixas mais fracas do disco.

07 - DOR E PRAZER - Embora o título até pareça título de canção do primeiro disco (como Sodoma e Gomorra) essa aqui é um hard rock com levada agitada e letra mais consciente do que Sexo Anual.

08 - AVENTURA - Uma balada que fala sobre a traição e os efeitos dela em um relacionamento. Não faz muito a minha cabeça, mas ganha pontos pela ousadia do tema.

09 - A TUA MÃE É MOÇA? - O nome da música era uma expressão dos anos 70/80 que significava algo como "a tua mãe é virgem?" e era usada quando uma garota mostrava muitos pudores. Clássico absoluto. Hardão safado e juvenil com o maior jeito de AC/DC. Presença certa em praticamente todos os shows da banda desde então.
10 - VIGÍLIA - Canção instrumental ao teclado permeada de elementos sonoros do círio de nazaré. Uma boa preparação para o que vem a seguir.

11 - FÉ EM PROCISSÃO - Canção épica. Com quase 9 minutos é a música mais longa do Stress e tem uma pegada cadenciada, pesada e melancólica. A letra é uma emocionada narrativa sobre a procissão do círio de nazaré. É uma das melhores canções do grupo e certamente um grande clássico.
Link para Download - STRESS III - 1996

SEÇÃO - METAL PA - FILES

Olá amigos

Nessa seção estaremos destrinchando e apresentando alguns dos discos que fizeram (ou não) a história da cena pesada do rock paraense. Os discos apresentados nessa seção podem ser baixados na comunidade do orkut Metal Pa - Files, mas só aqui você vai poder entender os pormenores e os detalhes dos discos e julgar pela nossa avaliação se vale a pena baixá-los/comprá-los. Ou então avaliar se no mínimo vale a pena levar nossas avaliações em conta (esperamos que elas lhe agradem).

Sugestões? Opiniões? Avaliações próprias? Escreva pra gente que a gente publica! - taion.rpg@gmail.com. Agora, com vocês a primeira avaliação dessa seção.

Abraços a todos, até a próxima.

OSCAR - Cada vez menos relevante mas ainda divertido PARTE I


Olá amigos. Para começar os trabalhos neste blog, após muita ponderação e discussões internas, optamos por um texto mais intimista de cunho pessoal e mais cara de blog - o Oscar 2009. E garantimos que o fato da transmissão estar sendo reprisada aqui do lado não influenciou de forma alguma essa escolha, embora tenha dado lá sua contribuição. Ok, vamos ao que interessa.


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OSCAR PARTE I - "Amargo Regresso"

Minha primeira impressão ao ver a transmissão do Oscar de 2009 foi estranhamento. Não, não era nada do Kodak Theater ou qualquer uma das plumas e paetês habituais da opulenta festa da indústria do cinema americano... tava quase tudo lá, eventualmente com algumas pequenas mudanças mas nada gritante. O estranhamento mesmo foi comigo - tinha muitos anos que eu não acompanhava a transmissão do Oscar. Acho que parei na transição da transmissão do Oscar da Globo para o SBT. E o pior é que eu tava ansioso por isso.

Cresci vendo as transmissões na globo, quase todo ano com o chato do Arnaldo Jabor destilando veneno e inveja dos cineastas e atores presentes (não que todos eles fossem mais relevantes que o Jabor - e olha que o Jabor já nem é lá tão relevante assim). A própria Globo se arrependeu um pouco de colocar o seu chato-mor na apresentação e recrutou o José Wilker pra salvar a parada nas edições seguintes, mas o SBT foi mais ágil. Garantiu o direito de transmissão e recrutando Maria Cândida pra fazer a apresentação junto de Rubens Ewald Filho, uma apresentadora mais jovem, mais inteligente e MUITO MAIS BONITA DO QUE O MALA DO JABOR.

VS

Bom, saudáveis disputas de beleza e charme entre apresentadores aparte, o oscar no SBT deu uma renovada na transmissão com uma linguagem mais jovem e mais dinamismo. O SBT também desenvolveu o hábito de reprisar a entrega na semana seguinte com legendas, o que gerava novo interesse sobre o programa e reduzia as perdas da tradução simultânea. Poxa vida, tecnicamente é o melhor momento pra acompanhar a entrega do prêmio ... mas nesse momento em diante eu por motivos que iam de trabalho no dia seguinte á outras loucuras e fatalidades, não conseguia acompanhar mais a transmissão.

Sempre gostei muito de cinema e filmes então por mais que Oscar fosse apenas "cinemão hollywoodiano" em 90% do tempo ainda era uma grande referência para o "ainda mais jovem" Jovem Foca aqui. Na televisão aberta não haviam programas sobre cinema (e TV por assinatura na maior parte da minha história foi sonho), poucas publicações apareciam nas bancas e internet eu via uma vez aqui e acolá na casa de algum conhecido. A oferta de informações não era tanta assim, então a transmissão do Oscar costumava reunir todos os principais elementos do que era divulgado nos parcos veículos de comunicação que tratavam do assunto na época - os atores em evidência, os diretores prestigiados, os filmes que passavam nos (poucos) cinemas da cidade, os diretores prestigiados... era interessante assistir, gerava interesse e sempre rendia algum assunto ("será que o Brasil leva a estatueta esse ano?", "será que a Fernanda Montenegro leva o prêmio de Melhor Atriz?", "Oh não! Denovo o Almodovar tira a estatueta do brasil!" e outras pérolas da nossa imprensa patriota).

Mas em suma, o Oscar recebeu uma cobertura melhor e eu saí de cena. Desta vez eu via novamente, após muito tempo, uma transmissão com o grande estranhamento de assistir na TV por assinatura. Sim! Agora a TV por assinatura não é apenas sonho. E sim! Dessa vez, a festa não recebeu cobertura de nenhuma emissora aberta. Nada de Jabor (pelo menos isso) nem de Maria Cândida ou José Wilker... sai de cena o cinema e entra os carros alegóricos e a energia sambante do Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro! Pela primeira vez em muito tempo a data da transmissão do Oscar coincidiu com o dia do desfile no Rio de Janeiro. Não é que a transmissão do prêmio esteja nas últimas, ele até mantém seu charme brega de sempre, mas competir com o Carnaval do Rio de Janeiro é realmente páreo duro.
Não espanta nada que a Globo, que recomprou os direitos de transmissão, priorize o carnaval que tem um apelo popular MUUUUUITO MAIOR do que o cinema em nosso país, mas sim o fato dela não permitir que a transmissão fosse comprada por outras emissoras, que não tinham direito de transmissão do carnaval e poderiam ter na transmissã do Oscar a sua esperança de audiência. A Globo é medrosa. Prefere pagar caro pela transmissão e segurar em mão fechada do que vender aos seus concorrentes uma esperança de audiência.

Meu regresso ás transmissões do Oscar foi numa situação estranha, até meio chocante. Em tempos de infância a transmissão na televisão era tradição e envolvia amigos, família, bolões ... bom, nem a família se reúne mais como antes. No final das contas, talvez eu não devesse estranhar tanto o fato de não passar mais na TV.

17.2.09

Começando os trabalhos, perdão pelo atraso

Prezados leitores

Olá, muito obrigado pela paciência em aguardar o fim de meu marasmo e início das atividades deste prodigioso e futuroso blog (por favor, não é um bom momento para questionar se a palavra "futuroso" existe, aguarde mais um pouco meu dicionárico leitor, seu momento chegará, assim o prometo).

Embora o momento não seja propriamente o mais indicado para iniciar as publicações (talvez eu tenha problemas com a internet nos próximos dias), acho que posso simplesmente dizer que após quase 3 anos sem nenhuma atualização eu estava devendo algumas palavras de satisfação aos meus leitores e elas são - DESCULPE - acompanhada da expressão - PROMETO QUE AGORA SERÁ DIFERENTE.

E realmente será diferente. Teremos diversas sessões e temas variados, boa parte deles já desenhados em minha mente e não publicados pela falta da providência divina do trabalho de produzir os textos. Bom, já dizia o ditado que em uma longa jornada o mais importante é começar. Levei três anos mais dei o fundamental primeiro passo, agora é deitar e rolar.

Abraços amigos leitores. Obrigado pela sua atenção.