Olá caros leitores.
Um blog com uma proposta de apresentar o mundo sob o olhar de um foca neófito não poderia se esquivar de dar vazão á visão de mundo de outros iniciantes também. Apesar do nome da sessão sugerir algo voltado á comunicação social, nem sempre será assim. Os "focas" da sessão podem perfeitamente pertencer a outras áreas do conhecimento, ou mesmo não pertencer ao espectro acadêmico, desde que contemplem a visão de jovens envolvidos naquilo que os apetece. A visão não-viciada e não-encharcada por clichês e estereótipos do mundo é uma coisa de valor inestimável, e cada vez mais rara em nossos dias.
Para começar, um recém-graduado estudante de jornalismo da UFPA, Bruno de Oliveira Magno.

******** PERFIL ********
Bruno de Oliveira Magno, paraense de belém, 26 anos, jornalista. Bruno desde pequeno esteve inserido em uma rotina que lembra um pouco o corre-corre do jornalismo - filho de oficial militar mudou-se várias vezes de casa e localidade ao longo da infância. Terá isso influenciado no seu fascínio pela profissão? Ainda jovem decidiu que queria fazer jornalismo mas, ansioso por entender melhor o funcionamento da sociedade e ao mesmo tempo temeroso em não conseguir passar no vestibular pra Comunicação (já na época, um dos cursos mais concorridos da Universidade Federal do Pará) ingressa primeiro no curso de Ciências Sociais, no ano de 2003. Ao longo de dois anos de curso, uma certa paixão se desenvolveu pela área da pesquisa social. Compreender as raízes do pensamento social e analisar o comportamento da sociedade com o passar dos tempos era fascinante, apresentando uma visão acima da visão de campo encontrada no jornalismo. E então? Após dois anos de percurso andado seria vantajoso mudar de área? "Sabe amigo, quando eu percebi que após dois anos de estudos eu teria mais alguns anos estudando pesado pra no final virar o FERNANDO HENRIQUE CARDOSO ... eu optei pelo jornalismo, que não paga bem mas me permitira ser um Caco Barcelos", afirma com bom humor o foca.
E ele optou pelo seu sonho. Com todo o esforço (e uma ponta de sorte da repescagem mais numerosa que o curso já teve em seus últimos anos) Bruno ingressou em 2005 no curso de jornalismo. Envolvido pela área, ainda em seu primeiro ano ingressou no seu primeiro estágio, na Assessoria de Imprensa da Upfa, onde o contato com o mundo do jornalismo científico acabou valorizando sua experiência prévia em ciências sociais. Um jornalista com uma compreensão prévia do que era o mundo da pesquisa científica e um olhar crítico sobre a área das ciências humanas como um todo não é algo fácil de se achar, e de muito valor nesse ramo. Seu trabalho ganhou destaque como o de um profissional exemplar. Pouco antes de expirar o período de 2 anos no seu estágio muda-se para outra área do jornalismo, mais diretamente ligada ao mercado - o jornalismo digital. Ingressa no Portal ORM, onde seu olhar jovem e interessado pelos fatos da sociedade, em especial da sociedade do entretenimento, o concedeu certa vantagem em relação a outros focas.
Em dezembro de 2008, concluiu sua história na graduação de comunicação com a defesa de seu Trabalho de Conclusão de Curso. O trabalho de bruno entrou pra história de mais de trinta anos do curso da UFPA - pela primeira vez um TCC com a temática do Marketing Social foi apresentado no curso. O trabalho, que citava como exemplo a campanha sobre sindrome de down na novela Páginas da Vida, era um trabalho interdisciplinar com a área de publicidade e propaganda, sendo muito elogiado pela banca examinadora que o avaliou com excelência. Mas nem tudo são flores...
Tendo cumprido seu período completo na redação do portal orm, concluindo suas contribuições ao final do mês de fevereiro último, quando seu contrato de estagiário terminou, Bruno, apesar do bom desempenho, não foi convocado para assinar um contrato de profissional. Atualmente cumpre expediente de "PROBLEMA SOCIAL" vivendo o desemprego, mas não deve manter-se nesta triste rotina por muito tempo. O mundo do jornalismo é grande e com várias oportunidades para pessoas com talento e dedicação como Bruno.
******** ENTREVISTA ********
TAION - Boa noite Bruno. Obrigado por aceitar realizar essa entrevista para o Enfoque Foca, ficamos muito contentes em poder contar com sua colaboração e em poder compartilhar suas idéias com nossos leitores.
BRUNO - Valeu ai, Taion, por eu ser o primeirão.
TAION - Bruno, você recentemente concluíu o curso de Comunicação Social com habilitação em jornalismo. Sabemos que você abandonou outro curso, já com um bom caminho trilhado, para poder ingressar neste curso. Finado o percursso da graduação fazemos a pergunta - e então, valeu a pena trocar?
BRUNO – Sim, valeu muito a pena. Principalmente por que a outra graduação me deu muita base teórica para as teorias da comunicação, coisa que estudamos muito no curso. Desde o ensino fundamental eu queria Estudar jornalismo, mas dai pensei em fazer sociologia para ter um conhecimento mais aprofundado da sociedade. Quando entrei no jornalismo, já tinha uma cabeça mais legal, opiniões formadas e estava atrás de realizar um sonho. Não me arrependi nenhum pouco.Sou apaixonado pelo jornalismo.
TAION - Sua resposta nos leva a uma outra pergunta - você ingressou no curso num momento de troca de grade curricular onde as matérias de introdução teórica (fundamentos de sociologia, direito, filosofia e etc.) ficaram de fora. Como você avalia a sua formação dentro do curso? Sem a experiência prévia em Ciências Sociais ela teria sido completa ou há aspectos que o decepcionam em sua graduação?
BRUNO – Sem dúvida, a minha experiência em sociologia contribui bastante para as disciplinas teóricas. Acredito que a grade curricular do curso precisa e muito dessa base humanista, de filosofia, sociologia, psicologia social...
TAION - A graduação em jornalismo, da forma como está atualmente, permite formar um profissional devidamente preparado?
BRUNO - Acredito que a graduçaõ em si, não forma o jornalista. Você precisa ter uma formação muito ampla sobre as coisas, então o bom mesmo é correr atrás. Estudar sempre, estagiar... enfim não ficar dependente da graduação somente.
TAION - Como você vê a área do jornalismo atualmente?
BRUNO - Atualmente o jornalismo vem banalizando muito as coisas, precisamos rever alguns pontos e posturas.
TAION – O meio jornalístico vive constantemente permeado por brigas acerca da exigência de diploma para o exercício da profissão. Como você enxerga essa questão?
BRUNO - Olha, eu sou a favor do diploma sim. Acredito que o jornalista deva ter uma formação superior sim, afinal vemos tantas 'birrazices' por ai no meio..de gente formada aos da antiga..Então, sou a favor do diploma por que a academia,o contato com a ciência leva o jornalista a uma formação mais crítica e mais humana.
TAION – As reclamações sobre o comportamento dos grandes veículos de comunicação sempre foram uma constante, mas com a ascenção das novas tecnologias de informação/comunicação o jornalista amador se tornou uma alternativa relevanta a esse monopólio da notícia. Estamos diante de um novo paradigma? Que mundo espera o jornalista formado Bruno Magno, e como ele vê esse horizonte de possibilidades?
BRUNO - O campo da comunicação é muito amplo, temos de estar preparados para tudo. O jornalista tem de estar preparado para essa nova forma de trabalho, esse ambiente digital. Acredito que as pessoas ainda não atentaram para essa questão das novas tecnologias, do webjornalismo. Daqui há alguns anos as pessoas só irão se formar pela internet, com a convergência das midias. É mais uma porta que se abre no mercado de trabalho também.
TAION - Você acha que há uma separação muito grande do jornalismo da ciência? A abertura da reunião anual da SBPC em Belém, 2007, contou com a fala de Lúcio Flávio Pinto, que comentou sobre o fato. Mas, afora essa manifestação, ao menos em nível regional não me recordo de maiores menções a esse fato. Nem mesmo no encontro regional da Intercom, também em 2007.
BRUNO - Taion, acho que ai caímos Numa questão: teoria x prática. Na academia, somos pesquisadores, no estágio somos treinados para sermos jornalistas. Mas não podemos esquecer que, acima de tudo, o jornalista é meio cientista sim. Pesquisador e farejador.

TAION – O jornalista, via de regra, não costuma enxergar a si mesmo como um cientista mas sim como um profissional da notícia, mesmo aqueles graduados bachareis em comunicação social. Como você acha que poderia-se ajudar a reverter essa situação?
BRUNO - A solução seria criar o curso de Comunicacao Social e o curso de Jornalismo. Separar as áreas mesmo, porque isso confunde a gente.
TAION - Bruno Magno, obrigado pela entrevista. Nos vemos pelo mercado de trabalho, ou aqui no Enfoque Foca mesmo. Até em breve amigo.
BRUNO – Sem dúvida, a minha experiência em sociologia contribui bastante para as disciplinas teóricas. Acredito que a grade curricular do curso precisa e muito dessa base humanista, de filosofia, sociologia, psicologia social...
TAION - A graduação em jornalismo, da forma como está atualmente, permite formar um profissional devidamente preparado?

BRUNO - Acredito que a graduçaõ em si, não forma o jornalista. Você precisa ter uma formação muito ampla sobre as coisas, então o bom mesmo é correr atrás. Estudar sempre, estagiar... enfim não ficar dependente da graduação somente.
TAION - Como você vê a área do jornalismo atualmente?
BRUNO - Atualmente o jornalismo vem banalizando muito as coisas, precisamos rever alguns pontos e posturas.
TAION – O meio jornalístico vive constantemente permeado por brigas acerca da exigência de diploma para o exercício da profissão. Como você enxerga essa questão?
BRUNO - Olha, eu sou a favor do diploma sim. Acredito que o jornalista deva ter uma formação superior sim, afinal vemos tantas 'birrazices' por ai no meio..de gente formada aos da antiga..Então, sou a favor do diploma por que a academia,o contato com a ciência leva o jornalista a uma formação mais crítica e mais humana.
TAION – As reclamações sobre o comportamento dos grandes veículos de comunicação sempre foram uma constante, mas com a ascenção das novas tecnologias de informação/comunicação o jornalista amador se tornou uma alternativa relevanta a esse monopólio da notícia. Estamos diante de um novo paradigma? Que mundo espera o jornalista formado Bruno Magno, e como ele vê esse horizonte de possibilidades?
BRUNO - O campo da comunicação é muito amplo, temos de estar preparados para tudo. O jornalista tem de estar preparado para essa nova forma de trabalho, esse ambiente digital. Acredito que as pessoas ainda não atentaram para essa questão das novas tecnologias, do webjornalismo. Daqui há alguns anos as pessoas só irão se formar pela internet, com a convergência das midias. É mais uma porta que se abre no mercado de trabalho também.
TAION - Você acha que há uma separação muito grande do jornalismo da ciência? A abertura da reunião anual da SBPC em Belém, 2007, contou com a fala de Lúcio Flávio Pinto, que comentou sobre o fato. Mas, afora essa manifestação, ao menos em nível regional não me recordo de maiores menções a esse fato. Nem mesmo no encontro regional da Intercom, também em 2007.
BRUNO - Taion, acho que ai caímos Numa questão: teoria x prática. Na academia, somos pesquisadores, no estágio somos treinados para sermos jornalistas. Mas não podemos esquecer que, acima de tudo, o jornalista é meio cientista sim. Pesquisador e farejador.

TAION – O jornalista, via de regra, não costuma enxergar a si mesmo como um cientista mas sim como um profissional da notícia, mesmo aqueles graduados bachareis em comunicação social. Como você acha que poderia-se ajudar a reverter essa situação?
BRUNO - A solução seria criar o curso de Comunicacao Social e o curso de Jornalismo. Separar as áreas mesmo, porque isso confunde a gente.
TAION - Bruno Magno, obrigado pela entrevista. Nos vemos pelo mercado de trabalho, ou aqui no Enfoque Foca mesmo. Até em breve amigo.
BRUNO – Obrigado, Taion, precisando estamos ai.
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