20.3.09

OSCAR - Cada vez menos relevante mas ainda divertido PARTE II

Olá prezados leitores. Voltamos com as tardias, porém relevantes, reflexões sobre o Oscar. Já deixei claro que não dou muita bola pra esse negócio de furo, primeira mão e etc, certo? Se não o fiz acrescento agora "não me interessa falar primeiro, mas sim dizer algo relevante". Espero poder fazê-lo nesta oportunidade.

********ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE********

Ou "como manter sua paixão (de ostentação exorbitante) pelo cinema em tempos de crise mundial"? Admito que nem me atentava muito pra esse impacto, mas eis um tema realmente interessante. Hollywood (cinema), Fórmula Um (esportes) e o Rap-ultra-comercial-dos-USA-cujo-nome-técnico-não-me-lembro (música) são alguns dos expoentes mais esbanjadores e caros de suas áreas no reino do entretenimento.

Na Fórmula 1 tudo é caro, o negócio envolve centenas de patrocinadores e as cifras que envolvem tudo são astronômicas, a própria competição padece desse custo elevado pois já há alguns anos o número de competidores vem diminuindo em face do não-interesse de novas escuderias competirem (ou melhor, participar. Só Ferrari e McLares, eventualmente outra montadora, efetivamente "competem").

Já o Rap-ultra-comercial-dos-USA-cujo-nome-técnico-não-me-lembro é marcado pelos cordões de prata e ouro gigantescos. Pelos enormes relógios (de Rolex pra cima) utilizados pelos seus intérpretes, geralmente um em cada braço. Pelas roupas de marca (do meião até a ponta do boné, se alguma coisa não tiver uma logomarca caríssima em destaque, não serve). Pelos carrões tunados (de forma ostentosa) ... e, em suma, pela filosofia "GET RICH OR DIE TRYING". Por sinal, esse é o nome do filme sobre a vida do inesquecível rapper "50 Cent", que apesar do nome é chegado em privadas de ouro e outros artifícios supérfluos e absurdamente caros.

Em hollywood o quanto você gasta é o quanto você vale. Dizer que está vestindo "10 milhões de dólares em jóias" é algo natural. É o espaço dentro do cenário mundial da produção cinematográfica onde ficam as maiores extravagâncias, como dar 150 milhões de dólares pra Kevin Costner filmar O Mensageiro, ou outros 100 e tantos milhões pra Joel Schumacher filmar Batman & Robin (certamente o pior filme de todos os tempos). Também ocorrem algumas supervalorizações e especulações difíceis de entender, como Vin Diesel ser cotado com um salário de 20 milhões de dólares para protagonizar a seqüência do filme Triplo X antes do filme sequer estrear (curiosidade histórica - ele não participou da seqüência do filme). Com uma industriada viciada em ostentação assim, só poderíamos imaginar que a sua principal cerimônia de premiação fosse igualmente cheia de pompa e ostentação ... pois zé, e é exatamente assim. As vezes a vida simplesmente não é nada surpreendente.


Então temos a situação. A Fórmula 1 tá se virando como pode mudando regras do campeonato e correndo loucamente atrás de novos patrocinadores, o pessoal do "rap-ultra-comercial-dos-USA-cujo-nome-técnico-não-me-lembro" ... bom, acho que eles são alienados demais pra entender os efeitos da crise, mas não ia estranhar se começassem a leiloar suas privadas de ouro no e-bay pra poder continuar pagando os cinzeiros de marfim para seus charutos cubanos. Como é que a turma do cinema vai se virar com isso?

Em grande parte, curiosamente, rezando e tendo fé. A organização do evento aguardou até duas semanas antes do evento para confirmar patrocínios e alguns pacotes de ajuda governamental á indústria do cinema (sim! Hollywood apelando por ajuda do governo! Vocês não estão sozinhos Clube dos 13!). Como já era esperado, o pacote não saiu e os patrocinadores estavam muito receosos pra investir em algo caro como o Oscar ... sem grana, a indústria começou um processo que o nosso organismo faz naturalmente - quando a fome é pesada e não tem comida, o nosso estomago começa a comer as próprias paredes estomacais pra se saciar... ... ... ... não entenderam? Tudo bem, minha metáfora não foi das melhores. Seja como for, a organização do Oscar vendeu cotas de patrocínio aos próprios estúdios de cinema, que passaram a divulgar seus filmes durante a transmissão do Oscar. Parece algo natural, creio que muita gente talvez nem soubesse que esse expediente era realizado, mas a Academia temia que a propaganda de filmes durante o evento pudesse afetar a credibilidade da premiação, inclusive o expediente publicitário desse ano definia que apenas filmes não lançados ou que não estivessem concorrendo poderiam receber inserção publicitária ...

NOTA PESSOAL - Fala sério. Nunca premiaram Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Charles Chaplin, Alfred Hitchcock e ainda querem falar de credibilidade? Alguém dava credibilidade pra eles após Shakespeare Apaixonado ser eleito melhor filme concorrendo com Além da Linha Vermelha (do pouco agitado Terence Malick), O Resgate do Soldado Ryan, A Vida é Bela (invejas brasileiras aparte, o filme é genial) e Elizabeth? Isso só pra citar um evento recente...

******** TEMPOS MODERNOS ********

Bom além desse expediente também foram feitas algumas alterações pra diminuir os custos e o tempo de duração do evento - que sempre extrapolava e comprometia as grades de programação das TVs mundo afora. Coisas como cortar as apresentações musicais (apenas alguns pedaços das músicas foram executados, em um bloco só, quando da premiação de melhor música), diminuir a suntuosidade dos cenários, apresentar vários prêmios de uma tacada só pra agilizar as coisas, menos homenagens aqui e acolá, menos blá-blá-blá dos premiados ... no aspecto geral, a festa ficou mais limpa. Um musicalzinho aqui e outro acolá mas sem (muitos) excessos.

Ponto pró-oscar? Mais ou menos. A homenagem de 5 ex-premiados aos 5 indicados da atual edição do Oscar me pareceu excessivamente piegas. Acho legal valorizar os atores que fizeram história no prêmio, mas as falas e discursos me soaram excessivamente ensaiadas, além do quê aquele carinho todo demonstrado pelos atores entre si também não me pareceu muito sincero. O corte das apresentações musicais pode até ter sido uma saída pró-tempo, mas foi ridícula artisticamente falando porque era o momento em que o artista podia recriar sua obra integralmente ao vivo.

NOTA PESSOAL - Se bem que a academia já premiou o cantor de "rap-ultra-comercial-dos-USA-cujo-nome-técnico-não-me-lembro" Eminem antes e depois barraram o Jorge Drexler, colocando o Antônio Banderas e o Santana pra "interpretar" uma versão bizonha de "Al Otro Lado Del Rio" ... que ganhou o prêmio depois ... em suma, provavelmente daria tudo errado de um jeito ou de outro.
******** ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR? ********
Oh Boy, assistir á transmissão do Oscar esse ano, mais do que nunca, foi um jogo de adivinhação sem igual. Tá certo que toda premiação tem um quê de mistério e adivinhação, mas desta vez eu simplesmente não conhecia NENHUM FILME dos indicados. Nem os megablockbuster chicletões nem os obscuros-que-a-galera-elogia-e-geralmente-tem-alguma-qualidade... e olha que eu até curto ver esses filmes.

Bom, na impossibilidade de se avaliar o trabalho de cada ator, diretor e companhia o negócio é apelar para uma estratégia que muitas vezes o pessoal toma - apelo sentimental. "Poxa, Mickey Rourke indicado ao oscar de melhor ator ... logo ele que tava perdidão na vida e só fazia filmes escrotos há pelo menos uns 20 anos ... espero que ele ganhe o oscar", ou então um "Poxa, Sean Penn foi indicado pelo papel de um ativista gay, os gays sofrem muito preconceito, merece esse prêmio" ou mesmo um "Vou torcer pelos atores negros porque eu sei que a indústria de cinema americana é muito preconceituosa" ... a razão o seu coração escolhe, e ela não precisa fazer muito sentido pra qualquer pessoa além de você: uma causa com a qual você se identifique, uma razão social, o carisma de um dado ator/diretor...

Embora não seja propriamente um critério técnico, e portanto não seja exatamente algo elogiável, todo mundo faz uso dele, inclusive eu. Tava assistindo, não vi nenhum filme antes e, por alguns minutos (porque eu nem sabia quem eram os indicados antes) torci um pouco pela sorte do Mickey Rourke (sempre acho bacana quando alguém de quem não se esperava mais nada dá uma volta por cima), torci pelo azar de "O Estranho Caso de Benjamim Button" (não vi o filme, é verdade, mas não simpatizei com ele... acho que pela cara de chocho do Brad Pitt no trailer desse filme) - e fui bem sucedido nessa torcida - e, em suma, coisas do tipo.

Havia momentos em que o critério pessoal cedia espaço para outro critério mais pós-moderno - o geopolítico. "Pô, Geopolítica até aqui?". Calma leitores, é apenas uma versão "mais light" do termo. Coisas como "Poxa, o japão não ganha um Oscar desde os tempos do (deus) Akira Kurosawa. O cinema deles é muito bom, acho que eles mereciam um prêmio" - até o Rubens Ewald Filho comentou isso durante a transmissão, complementando que o filme premiado como melhor filme estrangeiro realmente era muito bom - ou então "O filme tal vem de um país destroçado pela guerra, é importante para o orgulho próprio eles vencerem esse prêmio".
******** FUGA PARA A VITÓRIA ********

Um dos critérios geopolíticos e geo-econômicos mais cara-de-pau da noite foi dado pela própria organização da festa. Com a queda da bilheteria (de modo geral) nos Estados Unidos e o curioso fenômeno que surgiu esse ano, onde os filmes indicados ao Oscar ao invés de terem um acréscimo de público e bilheteria acabavam recebendo uma queda nesses aspectos. Lembrem-se da crise mundial, será que o povo americano tá ficando mais pobre ou mais receoso em gastar dinheiro pra ir ao cinema? Será que o Oscar caiu em credibilidade com o povo americano? De onde virá, afinal de contas esse fenômeno? Difícil dizer, mas de certo apenas que a velha estratégia capitalista de procurar novos mercados após a saturação dos mercados tradicionais entra aqui de forma destacada. Já que o público americano não tá pagando pelos excessos de hollywood, então vamos fugir pra onde as pessoas paguem ... e onde pode ser isso? NA ÍNDIA, É CLARO!!!!


BOLLYWOOD CHEGA A HOLLYWOOD - definiram alguns comentaristas. Bollywood é a meca da indústria de cinema indiano, país que pouca gente sabe mas é o maior produtor de filmes do mundo. Bollywood é a "Hollywood de Bombain" e seus filmes contam com todo exagero e pirotecnias dos antigos musicais americanos, onde o tempo todo os atores paravam o que estavam fazendo e começavam a cantar e dançar. Em termos comparativos, esses filmes poderiam ser comparados com as novelas mexicanas - são bregas, popularescos e os principais representantes culturais de seus países mundo afora. Como definiu certa vez o diretor indiano Ram Devairini "Bollywood é diversão. Os filmes são melodramas, cheios de música, dança e cor porque os filmes devem ser divertidos. Se você assiste um filme de bollywood e não se diverte, então você não sentiu Bollywood". Bollywood é o "cinemão" indiano, tal qual Hollywood é o "cinemão" americano.



A distribuição dos maiores prêmios que priorizou um filme com estética, parte da equipe e temática indiana pode, em alguns casos, ser coincidência (não vi o filme, não tenho como avaliar suas qualidades individuais) mas o grande show musical Bollywoodiano realizado em uma edição paricular do Oscar onde as canções indicadas a melhor canção não foram apresentadas e onde houve uma limpeza geral dos números musicais e demais salamaleques ... parece um tanto cara-de-pau demais pra ser considerado apenas coincidência. Um número musical bollywoodiano com todas as pirotecnias e cantado em idioma indiano, justamente num evento tradicional americano, que não costuma deixar artistas estrangeiros desconhecidos se apresentarem (que o diga Jorge Drexler, cuja canção foi representada por Antônio Banderas e Santana com ele assistindo tudo calado bem no meio da platéia), e numa indústria que costuma regravar filmes de sucesso apenas para que o público o consuma na sua própria língua (americanos não gostam de filmes legendados) essa manifestação cultural certamente não tinha como alvo o público tradicional americano. Essa apresentação servia como um cartão-de-visitas do cinema indiano apresentado num espaço canônico do cinema americano, ou seja "cidadões tradicionalistas americanos, consumam o cinema indiano porque nós os estamos autorizando para fazê-lo, tanto é que nós estamos apresentando eles aqui na nossa premiação mais tradicional. Viram como não tem perigo?".


"Então a estratégia é fazer os indianos venderem seus filmes pro mercado americano?". Talvez, mas acho que é mais uma via de mão dupla: ao mostrar "carinho" pelo cinema indiano os americanos estimulam uma visão positiva sobre os seus produtos culturais e estimulam com isso o consumo dos seus filmes nas terras indianas. Também é o pretexto para, estimulando o público americano a consumir o material produzido na índia e o próprio cinema americano refilmar produções indianas e começar a lançar material com estética indiana mas falado em idioma yankee. Estimular a formação de um público consumidor deste material para em seguida produzir para o consumo desse público. A idéia é dar uma requentada numa indústria que começa a se retrair, ou melhor dizendo nas indústrias que começam a se retrair, pois Bollywood sofre na indía uma crise semelhante ao que sua contraparte americana sofre. O curioso em tudo isso é a situação de "volta as origens" já que os musicais americanos antigos estimularam a produção do cinema de Bollywood e agora retribui exportando sua estética desenvolvida a partir daqueles filmes novamente para a matriz original. Não é a primeira vez que isso acontece, a estética dos desenhos e quadrinhos japoneses já havia feito algo semelhante nos anos 90 (acho até que escreverei um post sobre isso algum dia).

******** GET SHORTY - O NOME DO JOGO ********
Em poucas palavras:
*Hugh Jackman se mostrou um apresentador com bom feeling para comédia um ótimo cantor e dançarino. Apesar de não gostar da cinessérie de X-Men e da maioria dos atores envolvidos, que geralmente são fracos e pouco excpressivos (com exceção de Ian McKellen, Patrick Stewart e poucos) abro uma exceção pra ele, que em outros filmes já demonstra boas qualidades como ator. Espero que não fique estigmatizado como Wolverine, porque ele merece bem mais que isso.


*Anne Hathaway, apesar da cara de menina e de dois filmes O Diário da Princesa no currículo, se mostrou uma atriz bem mais gabaritada do que eu imaginava (é, acho que me precipitei novamente). Indicada pela segunda vez ao oscar já apresenta uma carreira dramática bem respeitável. Espero que não volte tão cedo ás comédias bobas.

* Hugh Hefner, apesar de não ter relação nenhuma nem com os filmes indicados nem com as premiações do evento, acabou protagonizando uma das notícias mais importantes, relevantes e interessantes entre todas as notícias fruto do Oscar 2009 - embora o objetivo final não seja nenhuma novidade pra quem já assistiu mais do que 2 filmes da atriz, desejamos toda sorte do mundo a Hugh Hefner em sua empreitada.

11.3.09

DE FOCA PARA FOCA - entrevista - BRUNO MAGNO/Jornalista

Olá caros leitores.

Um blog com uma proposta de apresentar o mundo sob o olhar de um foca neófito não poderia se esquivar de dar vazão á visão de mundo de outros iniciantes também. Apesar do nome da sessão sugerir algo voltado á comunicação social, nem sempre será assim. Os "focas" da sessão podem perfeitamente pertencer a outras áreas do conhecimento, ou mesmo não pertencer ao espectro acadêmico, desde que contemplem a visão de jovens envolvidos naquilo que os apetece. A visão não-viciada e não-encharcada por clichês e estereótipos do mundo é uma coisa de valor inestimável, e cada vez mais rara em nossos dias.

Para começar, um recém-graduado estudante de jornalismo da UFPA, Bruno de Oliveira Magno.

******** PERFIL ********
Bruno de Oliveira Magno, paraense de belém, 26 anos, jornalista. Bruno desde pequeno esteve inserido em uma rotina que lembra um pouco o corre-corre do jornalismo - filho de oficial militar mudou-se várias vezes de casa e localidade ao longo da infância. Terá isso influenciado no seu fascínio pela profissão? Ainda jovem decidiu que queria fazer jornalismo mas, ansioso por entender melhor o funcionamento da sociedade e ao mesmo tempo temeroso em não conseguir passar no vestibular pra Comunicação (já na época, um dos cursos mais concorridos da Universidade Federal do Pará) ingressa primeiro no curso de Ciências Sociais, no ano de 2003. Ao longo de dois anos de curso, uma certa paixão se desenvolveu pela área da pesquisa social. Compreender as raízes do pensamento social e analisar o comportamento da sociedade com o passar dos tempos era fascinante, apresentando uma visão acima da visão de campo encontrada no jornalismo. E então? Após dois anos de percurso andado seria vantajoso mudar de área? "Sabe amigo, quando eu percebi que após dois anos de estudos eu teria mais alguns anos estudando pesado pra no final virar o FERNANDO HENRIQUE CARDOSO ... eu optei pelo jornalismo, que não paga bem mas me permitira ser um Caco Barcelos", afirma com bom humor o foca.

E ele optou pelo seu sonho. Com todo o esforço (e uma ponta de sorte da repescagem mais numerosa que o curso já teve em seus últimos anos) Bruno ingressou em 2005 no curso de jornalismo. Envolvido pela área, ainda em seu primeiro ano ingressou no seu primeiro estágio, na Assessoria de Imprensa da Upfa, onde o contato com o mundo do jornalismo científico acabou valorizando sua experiência prévia em ciências sociais. Um jornalista com uma compreensão prévia do que era o mundo da pesquisa científica e um olhar crítico sobre a área das ciências humanas como um todo não é algo fácil de se achar, e de muito valor nesse ramo. Seu trabalho ganhou destaque como o de um profissional exemplar. Pouco antes de expirar o período de 2 anos no seu estágio muda-se para outra área do jornalismo, mais diretamente ligada ao mercado - o jornalismo digital. Ingressa no Portal ORM, onde seu olhar jovem e interessado pelos fatos da sociedade, em especial da sociedade do entretenimento, o concedeu certa vantagem em relação a outros focas.

Em dezembro de 2008, concluiu sua história na graduação de comunicação com a defesa de seu Trabalho de Conclusão de Curso. O trabalho de bruno entrou pra história de mais de trinta anos do curso da UFPA - pela primeira vez um TCC com a temática do Marketing Social foi apresentado no curso. O trabalho, que citava como exemplo a campanha sobre sindrome de down na novela Páginas da Vida, era um trabalho interdisciplinar com a área de publicidade e propaganda, sendo muito elogiado pela banca examinadora que o avaliou com excelência. Mas nem tudo são flores...

Tendo cumprido seu período completo na redação do portal orm, concluindo suas contribuições ao final do mês de fevereiro último, quando seu contrato de estagiário terminou, Bruno, apesar do bom desempenho, não foi convocado para assinar um contrato de profissional. Atualmente cumpre expediente de "PROBLEMA SOCIAL" vivendo o desemprego, mas não deve manter-se nesta triste rotina por muito tempo. O mundo do jornalismo é grande e com várias oportunidades para pessoas com talento e dedicação como Bruno.

******** ENTREVISTA ********

TAION - Boa noite Bruno. Obrigado por aceitar realizar essa entrevista para o Enfoque Foca, ficamos muito contentes em poder contar com sua colaboração e em poder compartilhar suas idéias com nossos leitores.

BRUNO - Valeu ai, Taion, por eu ser o primeirão.

TAION - Bruno, você recentemente concluíu o curso de Comunicação Social com habilitação em jornalismo. Sabemos que você abandonou outro curso, já com um bom caminho trilhado, para poder ingressar neste curso. Finado o percursso da graduação fazemos a pergunta - e então, valeu a pena trocar?

BRUNO – Sim, valeu muito a pena. Principalmente por que a outra graduação me deu muita base teórica para as teorias da comunicação, coisa que estudamos muito no curso. Desde o ensino fundamental eu queria Estudar jornalismo, mas dai pensei em fazer sociologia para ter um conhecimento mais aprofundado da sociedade. Quando entrei no jornalismo, já tinha uma cabeça mais legal, opiniões formadas e estava atrás de realizar um sonho. Não me arrependi nenhum pouco.Sou apaixonado pelo jornalismo.

TAION - Sua resposta nos leva a uma outra pergunta - você ingressou no curso num momento de troca de grade curricular onde as matérias de introdução teórica (fundamentos de sociologia, direito, filosofia e etc.) ficaram de fora. Como você avalia a sua formação dentro do curso? Sem a experiência prévia em Ciências Sociais ela teria sido completa ou há aspectos que o decepcionam em sua graduação?

BRUNO – Sem dúvida, a minha experiência em sociologia contribui bastante para as disciplinas teóricas. Acredito que a grade curricular do curso precisa e muito dessa base humanista, de filosofia, sociologia, psicologia social...

TAION - A graduação em jornalismo, da forma como está atualmente, permite formar um profissional devidamente preparado?

BRUNO - Acredito que a graduçaõ em si, não forma o jornalista. Você precisa ter uma formação muito ampla sobre as coisas, então o bom mesmo é correr atrás. Estudar sempre, estagiar... enfim não ficar dependente da graduação somente.

TAION - Como você vê a área do jornalismo atualmente?

BRUNO - Atualmente o jornalismo vem banalizando muito as coisas, precisamos rever alguns pontos e posturas.

TAION – O meio jornalístico vive constantemente permeado por brigas acerca da exigência de diploma para o exercício da profissão. Como você enxerga essa questão?

BRUNO - Olha, eu sou a favor do diploma sim. Acredito que o jornalista deva ter uma formação superior sim, afinal vemos tantas 'birrazices' por ai no meio..de gente formada aos da antiga..Então, sou a favor do diploma por que a academia,o contato com a ciência leva o jornalista a uma formação mais crítica e mais humana.

TAION – As reclamações sobre o comportamento dos grandes veículos de comunicação sempre foram uma constante, mas com a ascenção das novas tecnologias de informação/comunicação o jornalista amador se tornou uma alternativa relevanta a esse monopólio da notícia. Estamos diante de um novo paradigma? Que mundo espera o jornalista formado Bruno Magno, e como ele vê esse horizonte de possibilidades?

BRUNO - O campo da comunicação é muito amplo, temos de estar preparados para tudo. O jornalista tem de estar preparado para essa nova forma de trabalho, esse ambiente digital. Acredito que as pessoas ainda não atentaram para essa questão das novas tecnologias, do webjornalismo. Daqui há alguns anos as pessoas só irão se formar pela internet, com a convergência das midias. É mais uma porta que se abre no mercado de trabalho também.

TAION - Você acha que há uma separação muito grande do jornalismo da ciência? A abertura da reunião anual da SBPC em Belém, 2007, contou com a fala de Lúcio Flávio Pinto, que comentou sobre o fato. Mas, afora essa manifestação, ao menos em nível regional não me recordo de maiores menções a esse fato. Nem mesmo no encontro regional da Intercom, também em 2007.

BRUNO - Taion, acho que ai caímos Numa questão: teoria x prática. Na academia, somos pesquisadores, no estágio somos treinados para sermos jornalistas. Mas não podemos esquecer que, acima de tudo, o jornalista é meio cientista sim. Pesquisador e farejador.

TAION – O jornalista, via de regra, não costuma enxergar a si mesmo como um cientista mas sim como um profissional da notícia, mesmo aqueles graduados bachareis em comunicação social. Como você acha que poderia-se ajudar a reverter essa situação?

BRUNO - A solução seria criar o curso de Comunicacao Social e o curso de Jornalismo. Separar as áreas mesmo, porque isso confunde a gente.

TAION - Bruno Magno, obrigado pela entrevista. Nos vemos pelo mercado de trabalho, ou aqui no Enfoque Foca mesmo. Até em breve amigo.

BRUNO – Obrigado, Taion, precisando estamos ai.